Casa: Devo ficar ou devo ir?

Cerca de 94% das pessoas idosas gostavam de continuar a viver na sua própria casa, preferencialmente autónomos, com os seus ritmos e rodeados dos seus pertences, familiares e amigos. E você? Prefere envelhecer em sua casa ou procurar outras soluções? Esta é uma decisão sua, que deve ser tomada em consciência e, acima de tudo, respeitada pelos familiares. 

Por LILIANA PEREIRA

Liberdade. Este é o propósito absoluto desta Casa.
Casa esta que se diz Grande. Não pelo seu tamanho físico, mas antes pelo seu valor sentimental e sentido de missão. Por acreditarmos na grandeza e no valor que tem a sua própria casa, e por lhe reconhecermos o direito de não se querer despedir dela. Foi por isso que nascemos. Nascemos para lhe oferecer todas as comodidades de que necessita para que possa usufruir da qualidade de uma vida plena, preenchida e com sentido. Nascemos para lhe conferir a dignidade que tanto merece. Por amor e por respeito à sua individualidade e à sua integridade.

A integridade, como uma expressão de plenitude e significado individual, pode ser descrita como a personalidade, os hábitos, as preferências pessoais e a necessidade de desenvolver os seus recursos próprios (Cruz, 2014).

O lugar e a casa são muito importantes na vida das pessoas e estes têm uma influência muito significativa na identidade das próprias (Lappegard, 2008). Dada esta influência do meio com a pessoa, nasceu a teoria da identidade com o lugar, do inglês “place-identity”, que surgiu em 1978 pelas mãos de Harold Proshansky, Abade Fabien e Robert Kaminoff (psicólogos especialistas em psicologia social e ambiental), que propõe que as identidades são formadas de acordo com o ambiente, isto é, a noção de identidade com o lugar diz respeito à forma como o lugar proporciona sentimentos de pertença, com significado e de apego para a pessoa. A identidade com o lugar advém dos sentimentos desenvolvidos através das experiências quotidianas com os espaços físicos envolventes.  

Casa, segundo o dicionário da língua Portuguesa, é o local onde se considera pertença de alguém. Esta é, a nosso ver, local de memórias, de vivências, de histórias, de família, de identidade. A perda desta pode influenciar negativamente a autoestima da pessoa idosa e contribuir para que se sucedam alterações identitárias (Fernandes, 2002). Podemos considerar que a identidade de um indivíduo corresponde ao que ele tem de mais precioso. Ora, a perda dessa identidade poderá causar sentimentos de alienação, sofrimento e angústia (Guedes, 2012), que em nada são conducentes a um envelhecimento digno e saudável. 

Queremos poder oferecer-lhe a oportunidade de envelhecer com dignidade naquela que é a sua casa, o seu espaço de eleição. Aqui poderá encontrar toda a ajuda necessária para que isso seja possível. 
Assim, deixamos o convite para acompanhar este nosso projeto. Na promessa de que seremos uma mais valia para a sua vida. 

Seja bem-vindo/a à Casa Grande – Cuidados Geriátricos.

Bibliografia:
Cruz,  S. (2014) A Dignidade em Lares de Idosos. Tese de mestrado apresentada ao ISSSP;
Fernandes, P. (2002). A depressão no idoso: estudo da relação entre fatores pessoais e situacionais e manifestações da depressão. Coimbra: Quarteto;
Guedes, J. (2012). Viver num lar de idosos – Identidade em risco ou Identidade Riscada?. Lisboa: Coisas de ler;
Lappegard, H. (2008). Identity and Place: a critical comparison of three identity theories.
Architectural Science Review, 50(1), 44–52;
Pereira, L. (2017). “«Aqui (não) é a minha casa». Institucionalização e Identidade” Tese de mestrado apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

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