Alzheimer e Demência: a mesma coisa?

Muitas pessoas questionam-se sobre a diferença entre a demência e a doença de Alzheimer. Embora a demência e a doença de Alzheimer sejam frequentemente usadas simultaneamente, a demência não é uma doença, mas antes o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. No entanto, existem outros tipos de demência.

Por LILIANA PEREIRA

A demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa (Alzheimer Portugal, 2019). 
Na sua maioria, as demências são de causa degenerativa e provocam uma perda progressiva e irreversível das capacidades cognitivas (como a memória, linguagem, capacidades de planeamento e execução e de reconhecimento), que conduzem a uma perda da autonomia para as atividades da vida diária, incluindo aspetos básicos como a alimentação ou a locomoção nas fases terminais da sua evolução (Alzheimer Portugal, 2014). 

A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47.5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75.6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135.5 milhões. 

A doença de Alzheimer representa 60% a 80% dos casos de demência. A doença afeta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. A sua causa pode estar associada à acumulação de placas beta-amilóides (fig.1). As placas são formadas quando pedaços dessa mesma proteína (beta-amilóide) se agrupam. 

 

As beta-amilóides vêm de uma proteína maior encontrada na na membrana gordurosa que envolve as células nervosas.
A beta-amilóide é quimicamente “pegajosa” e aos poucos pode formar placas, (pequenos pedaços que se agrupam) sendo esta a forma mais nociva da proteína. Estes agrupamentos podem bloquear a sinalização entre as células nas sinapses e ainda causar inflamações que capazes de provocar a morte das células.  

Fig. 1 Proteína beta-amiloíde

Estas placas de acumulação geralmente são formadas durante décadas antes dos sintomas de Alzheimer aparecerem (Being Patient, 2019).
Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária.

A adaptação da família à pessoa com demência implica uma reestruturação familiar, com adaptação à doença, redefinição de fronteiras e reestruturação também de atitudes comportamentais.
Hoje em dia, é difícil para o prestador de cuidados ocupar-se da pessoa com demência, o que leva a mudanças estruturais a nível familiar.

Sempre que possível deve-se evitar que uma pessoa com demência seja retirada do seu ambiente familiar e social, podendo uma mudança destas ter efeitos prejudiciais na evolução da doença.

O facto de retirarmos uma pessoa com demência do seu ambiente natural,
pode-lhe gerar mais confusão e implica, na maioria dos casos, um período de adaptação complicado e complexo, uma vez que a pessoa pode já não ter competências para perceber e para lidar com uma mudança de impacto tão forte na sua vida (Ministério da Saúde).

Bibliografia:
Alzheimer Portugal (2014). Manual do cuidador (3ª ed.). Portugal: Alzheimer Portugal;
Being Patient (2019).What is the difference beetween Dementia and Alzheimer’s? Visitado a 22/05/2019 de www.beingpatient.com;
Silva, M. (2018). A musicoterapia na demência: comunicação e expressão individual através
da música num contexto de isolamento social e de deterioração cognitiva e motora. Tese de Mestrado apresentada à Universidade Lusíadas.  

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